Madeira quer equipas visitantes submetidas a testes antes de chegarem ao Funchal

PÚBLICO 03/10/2020

Com a situação pandémica controlada, a Madeira está preocupada com o impacto que o reinício das competições desportivas possa ter nos números da covid-19 no arquipélago. O caminho, resume ao PÚBLICO o secretário regional da Saúde e Protecção Civil madeirense, Pedro Ramos, passa pela obrigatoriedade de todas as equipas que viajem para a Madeira serem testadas previamente ao coronavírus.

Estas preocupações foram colocadas esta sexta-feira ao secretário de Estado Adjunto e da Saúde, António Lacerda Sales, no âmbito de uma reunião que decorreu em Lisboa com o Ministério da Saúde, com a Direcção-Geral da Saúde (DGS) e com responsáveis das principais Ligas a federações desportivas do país.

“A minha preocupação é que se calhar um dos próximos surtos no país vai acontecer no âmbito do desporto”, argumenta Pedro Ramos, lamentando a ausência de determinações claras e concretas sobre a responsabilidade de as equipas serem testadas ao vírus SARS-CoV-2 antes dos jogos.

No caso das equipas regionais, sublinha o secretário regional, essa responsabilidade será assumida pelo Governo madeirense, e todos os elementos serão submetidos a testes antes dos jogos, sejam na Madeira ou noutro ponto do país. “E as outras equipas? Quem assume? Ainda vamos ter competições em que uma equipa está testada, e outra não”, alerta o governante, insistindo que, no actual contexto de pandemia, as associações ou federações têm que assumir essa responsabilidade. “Todas as equipas, antes de viajarem para a Madeira, devem ser testadas na origem”, reforça, defendendo que quem organiza as competições das diferentes modalidades tem a obrigação e a responsabilidade de assegurar que esses procedimentos sejam cumpridos.

Em causa, explica Pedro Ramos, não está a Liga NOS, em que as regras estão definidas. “Estou a falar em todas as modalidades. Mesmo o futebol tem vários níveis, com atitudes diferentes”, indica, adiantando que a região autónoma está preocupada porque quer continuar a ter a situação pandémica controlada. “Queremos continuar a transmitir confiança a quem nos visita, e queremos que todos tenham a responsabilidade de, num contexto de pandemia, e no reinício das actividades desportivas, apresentarem condições sanitárias aceitáveis para poderem competir”, diz o governante madeirense, que escreveu a António Lacerda Sales a dar conta das reticências do Funchal sobre o regresso das competições desportivas.

“Estamos preocupados com aquilo que vai ser feito nas várias modalidades, e nos vários campeonatos onde a obrigatoriedade do teste ainda nem foi falada”, insiste, abrindo, no entanto, a porta a um regresso “controlado” e “rigoroso” dos adeptos aos recintos desportivos. “O que nos preocupa não é o nosso público, porque temos uma situação epidemiológica diferente. O que nos preocupa são as condições sanitárias de quem chega.”

A região autónoma tem equipas envolvidas em todas as principais modalidades colectivas. Se a questão do Marítimo e do Nacional na Liga NOS não levanta problemas para as autoridades regionais, dado o controlo que está a ser feito pela Liga de clubes, já os outros escalões e modalidades são uma incógnita. Só no futebol, existem equipas madeirenses a participar no Campeonato de Portugal, na Liga Revelação e Liga Feminina. Depois, há três equipas no futsal, uma no hóquei em patins, mais de uma dezena no ténis de mesa, três no basquetebol, uma no voleibol e três no andebol.

Os últimos dados, divulgados esta sexta-feira, dão conta de 234 casos positivos de covid-19 na região autónoma desde o início da pandemia, sendo que apenas 69 estão activos e nenhum resultou em morte.

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